
O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 na seção eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, revelou um cenário de disputa acirrada entre diferentes correntes políticas. Os dados oficiais da seção 420 da 18ª Zona Eleitoral apontam que Michelle Bolsonaro (PL), Celina Leão (PP) e Erika Kokay (PT) figuraram como os nomes mais votados entre os eleitores que exerceram o direito de voto dentro da unidade prisional.
A votação no local reflete a dinâmica de transferência temporária de eleitores, englobando presos provisórios — que ainda não possuem condenação criminal transitada em julgado — e servidores públicos em serviço no dia do pleito, como policiais penais e agentes penitenciários.
Michelle Bolsonaro e Erika Kokay dominam disputa para o Senado
Na corrida para o Senado Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) garantiu a primeira colocação na seção com 68 votos. Logo em seguida, a deputada federal Erika Kokay (PT) obteve a segunda preferência do eleitorado local, somando 62 votos. Como o pleito de 2026 permitia a escolha de dois nomes para o cargo de senador, o comportamento dos eleitores demonstra uma divisão expressiva de preferências na seção.
Em nossa análise editorial, chama atenção o equilíbrio de forças entre candidatas de espectros ideológicos opostos em uma mesma urna. Logo após as duas primeiras colocadas, a senadora Leila Barros (PDT) registrou 58 votos, seguida de perto pela deputada federal Bia Kicis (PL), que recebeu 54 votos.
No total, a seção contabilizou 274 votos para o Senado. Deste montante, 252 foram votos nominais destinados a candidatos, enquanto 12 eleitores votaram em branco e outros 10 anularam a escolha.
Vale destacar que a articulação política das candidatas de direita tem sido intensa no Distrito Federal e em outras regiões, como demonstrado em ações recentes onde Michelle Bolsonaro grava vídeo de apoio para consolidar alianças e fortalecer correligionários pelo país.

Celina Leão lidera com folga para o Governo do Distrito Federal
Para o cargo de governador do Distrito Federal, Celina Leão (PP) obteve um desempenho destacado na Papuda, somando 65 votos. O número representa mais do que o dobro da votação obtida pelo segundo colocado, Leandro Grass (PT), que registrou 32 votos na urna da unidade.
A consolidação de Celina Leão na liderança local reflete sua forte presença de campanha no DF. Recentemente, a classe política observou movimentações estratégicas em que Celina Leão intensifica campanha com bolsonaristas para otimizar a conversão de votos e evitar dispersão do eleitorado conservador.
Confira o desempenho detalhado de todos os candidatos ao governo do DF na seção da Papuda:
| Candidato(a) ao Governo do DF | Partido | Votos Recebidos |
|---|---|---|
| Celina Leão | PP | 65 |
| Leandro Grass | PT | 32 |
| Paula Belmonte | PSDB | 12 |
| Kiko Caputo | Novo | 10 |
| Ricardo Cappelli | PSB | 3 |
| José Roberto Arruda | PSD | 3 |
| Professor Robson | PSTU | 1 |
Lula vence Flávio Bolsonaro na votação presidencial na seção
A disputa pela Presidência da República também apresentou números equilibrados dentro do estabelecimento penal. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado, com 74 votos, seguido de perto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que conquistou 70 votos dos eleitores locais.
Abaixo deste bloco principal, outros 12 votos foram distribuídos entre candidaturas alternativas, com menções a Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Votação para deputados federais e distritais
Para a Câmara dos Deputados, a apuração registrou um empate exato na primeira colocação da seção 420. Rafael Prudente (MDB) e Fábio Félix (Psol) conquistaram 16 votos cada um, enquanto Sandro Avelar apareceu na sequência imediata com 10 votos.
Já no pleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (deputados distritais), os votos se distribuíram da seguinte forma:
- Eduardo Pedrosa (União): 16 votos
- Dr. Vicenzo (PSD): 12 votos
- Chico Vigilante (PT): 9 votos
- Policial João Renato (PL): 8 votos
Regras e funcionamento da votação em unidades prisionais
O funcionamento das seções eleitorais dentro do sistema prisional obedece a regras rígidas determinadas pela Justiça Eleitoral. A seção montada na Papuda não conta com eleitores originalmente domiciliados no complexo. De acordo com o boletim de urna oficial, o local registrou 185 eleitores aptos a votar por meio do mecanismo de transferência temporária de seção.
No dia do pleito, o comparecimento oficial para a votação de presidente da República foi de 162 eleitores. Têm direito a voto nesses locais os cidadãos sob custódia do Estado que ainda não foram condenados em definitivo (sem trânsito em julgado), além de servidores penitenciários, agentes públicos e policiais penais escalados para trabalhar no complexo no dia da votação.
Os eleitores e servidores que realizaram apenas o cadastro temporário sem a transferência definitiva do domicílio eleitoral para a região do Distrito Federal ficam limitados a votar exclusivamente para o cargo de presidente da República. Casos específicos, como o do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master — detido no 19º Batalhão da PMDF dentro do complexo —, puderam votar para todos os cargos em disputa após terem solicitado e concluído a transferência de domicílio eleitoral regular dentro do prazo legal estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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