O cenário político baiano passou por transformações profundas com a consolidação dos resultados eleitorais do primeiro turno. Entre surpresas nas urnas, reestruturações partidárias e articulações estratégicas para o segundo turno presidencial, os bastidores de Salvador e Brasília fervem com novas alianças e disputas internas de poder.

A Consolidação de Jerônimo Rodrigues e o Luto na Cúpula Carlista
Considerado por muitos em 2022 como um nome de improviso para conter o avanço da oposição, o governador Jerônimo Rodrigues consolidou de vez sua liderança no Palácio de Ondina. A vitória eleitoral enterrou o ceticismo do mercado político e garantiu ao petista autonomia real sobre o grupo governista, transformando o que antes era visto como um “plano B” em uma liderança com musculatura própria para ditar os rumos do estado.
Do outro lado, o clima na cúpula carlista é de profunda avaliação de danos. ACM Neto demonstrou forte abatimento com os resultados e se recolheu logo no início da apuração. Após reunir a equipe para um balanço das atividades de campanha, o ex-prefeito de Salvador embarcou para Brasília com o objetivo de selar o apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial. Essa movimentação nacional ocorre em paralelo aos incômodos internos da esquerda governista com o cenário federal, algo que expõe incômodo no PT diante de rearranjos de forças.


Encolhimento das Bancadas e o Saldo de João Roma
A Federação União Progressista, composta por União Brasil (UB) e Progressistas (PP), amargou uma expressiva redução de espaço no legislativo baiano. A queda de rendimento reflete-se diretamente no número de cadeiras conquistadas na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e na Câmara dos Deputados.
Abaixo, detalhamos o encolhimento das bancadas desses partidos na Bahia:
| Partido / Federação | Bancada Anterior (Alba) | Nova Bancada (Alba) | Bancada Anterior (Câmara) | Nova Bancada (Câmara) |
|---|---|---|---|---|
| União Brasil (UB) | 10 deputados | 5 deputados | 6 deputados | 6 deputados |
| Progressistas (PP) | 6 deputados | 3 deputados | 4 deputados | 2 deputados |
Apesar do revés sofrido pela chapa majoritária de oposição, o presidente estadual do PL, João Roma, conseguiu extrair saldo positivo do pleito. Embora não tenha sido eleito para o Senado, Roma viu o PL expandir sua representação na Alba de 4 para 7 deputados, e de 3 para 4 na bancada federal. Em nossa análise editorial, o dirigente consolida-se como o principal interlocutor do bolsonarismo na Bahia, sendo cotado prioritariamente para assumir um ministério em eventual gestão de Flávio Bolsonaro, à frente de ACM Neto nas preferências da Esplanada.

Ninho Tucano e Acordos de Bastidores
A movimentação interna no PSDB baiano também gerou ruídos após um jovem tucano articular sua candidatura a Brasília amparado por quase uma centena de prefeituras do interior. A ascensão da candidatura provocou desconforto em medalhões tradicionais da legenda. No entanto, o armistício foi selado durante encontros reservados em Salvador, preservando a unidade partidária sob o entendimento de que há espaço suficiente para o crescimento das diferentes alas da sigla sem confrontos diretos.
Tais dinâmicas de acomodação de forças e disputas por influência regional trazem à memória clássicos embates baianos, como os históricos escândalos da Torre Pituba e as redes de monitoramento que marcaram os bastidores do poder do estado em décadas anteriores.

Mudança Estratégica na Comunicação de Lula e Tempero Nordestino
Diante do avanço da oposição no primeiro turno, a campanha do presidente Lula acionou um plano de reestruturação total de sua comunicação digital. Críticas internas lideradas por nomes importantes do PT baiano, como o deputado Rosemberg Pinto, apontavam a falta de investimentos em redes sociais como o principal fator de descompasso nas pesquisas.
Para corrigir a rota, a equipe do candidato à reeleição passou a adotar gravações em formato de selfie, massificação de conteúdos dinâmicos nas mídias sociais e lives programadas com influenciadores. Além disso, o governador Jerônimo Rodrigues foi integrado ao núcleo duro da campanha de segundo turno, trabalhando ao lado dos governadores Camilo Santana (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí) para replicar o modelo de mobilização digital que garantiu vitórias expressivas da esquerda no Nordeste.

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