O cenário político em Salvador foi marcado por declarações polêmicas no último domingo (27). Durante um ato de campanha realizado na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela, o candidato a deputado federal pelo partido Missão, Vinicius Trindade, defendeu abertamente o uso de força letal por parte da Polícia Militar em eventos populares conhecidos como “paredões”.

O evento contava com a presença de Renan Santos, candidato à Presidência da República pela mesma legenda. Em seu discurso, Trindade pregou uma mudança drástica na legislação brasileira para endurecer o combate a essas festas, sugerindo que a Tropa Tática de Rondas Especiais (RONDESP) deveria intervir com o objetivo de “matar traficante”.
Proposta de criminalização da poluição sonora
Além da defesa do confronto direto, o candidato detalhou sua intenção de levar ao Congresso Nacional um projeto que transforma a atual legislação de poluição sonora em crime de natureza penal. Segundo a visão do postulante, o endurecimento da norma serviria como respaldo jurídico para incursões policiais mais agressivas.
“Vamos acabar com isso de paredão. Eu vou transformar a lei de ruídos num crime previsto no Código Penal. A RONDESP só precisa de uma fagulha para invadir essas festas e matar traficante”, afirmou Trindade durante a mobilização política.
Esta postura reforça o tom radical adotado por alguns membros da legenda no estado. Recentemente, o líder do partido Missão na Bahia também se envolveu em controvérsias ao utilizar retórica similar sobre segurança pública em bairros periféricos.


Renan Santos minimiza pesquisas eleitorais
O presidenciável Renan Santos, ao chegar à capital baiana para o início da reta final de sua campanha, conversou com a imprensa sobre suas expectativas. Questionado sobre os baixos índices registrados nos levantamentos de intenção de voto, Santos minimizou os dados estatísticos, alegando que os números não condizem com a recepção que tem tido nas ruas.
A escolha de Salvador para o pontapé inicial da última semana de campanha demonstra a importância estratégica do Nordeste para o partido Missão. Entretanto, as falas de seus correligionários têm gerado debates intensos sobre os limites da segurança pública e os direitos fundamentais. Em um cenário polarizado, questões religiosas também têm sido pautadas, como o uso político de Nossa Senhora Aparecida, que reflete a busca pelo eleitorado conservador.
Incidentes e repercussões na reta final
O clima de tensão na campanha não se restringiu aos discursos. O evento ocorreu em um período de alta temperatura política, onde outros candidatos também enfrentaram hostilidades, como o registro de uma carreata de Flávio Bolsonaro que foi alvo de ataques com ovos, classificados por ele como “tentativa de homicídio”.

Renan Santos também aproveitou o palanque em Salvador para desferir críticas a outros adversários, como o candidato Augusto Cury, a quem acusou de “comprar influenciadores” para impulsionar a candidatura, classificando a estratégia como deprimente.
Abaixo, os pontos centrais das propostas apresentadas no ato:
- Alteração do Código Penal: Transformar a lei de ruídos e poluição sonora em infração criminal.
- Fim das festas paredão: Erradicação dos eventos de rua com som automotivo em Salvador.
- Ação Policial: Autorização tácita para operações da RONDESP com uso de força letal em áreas de lazer sob suspeita de tráfico.
Em nossa análise editorial, as declarações de Vinicius Trindade elevam a pressão sobre o partido Missão, que busca consolidar uma imagem de “lei e ordem” radical, desafiando as convenções de segurança pública vigentes e as estatísticas oficiais de criminalidade.

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