O mercado financeiro brasileiro registrou a terceira queda consecutiva nesta semana. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou a quinta-feira com recuo de 1,06%, fixando-se aos 204.324,26 pontos. O movimento de baixa foi influenciado pelo avanço da inflação ao produtor nos Estados Unidos e por dados mornos do comércio varejista no cenário nacional, além das incertezas políticas do período pré-segundo turno.
Durante a sessão, o indicador apresentou oscilação amplitude, atingindo a máxima intradiária de 206.520,28 pontos e a mínima de 203.110,43 pontos. O volume total financeiro movimentado na bolsa brasileira somou R$ 40,9 bilhões no dia.
Varejo estagnado e pressão dos juros nos Estados Unidos
No ambiente doméstico, os investidores reavaliaram posições após a divulgação do desempenho do setor de varejo pelo IBGE. O volume de vendas no comércio varejista registrou uma leve variação positiva de 0,1% em agosto na comparação com julho, utilizando a série com ajuste sazonal. O dado ocorre após um recuo de 0,8% no mês anterior. Com o resultado, a média móvel trimestral encerrou agosto com variação negativa de -0,1%, repetindo o patamar observado no trimestre encerrado em julho.
O desempenho reflete a sensibilidade do consumo interno diante da taxa básica de juros e da volatilidade em setores ligados à economia real. O cenário contrasta com períodos em que a bolsa registrou fortes altas históricas impulsionadas pelo apetite estrangeiro, como quando o Ibovespa renova máxima histórica em momentos de maior otimismo fiscal.
No plano internacional, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos avançou 6,3% em setembro na comparação anual. O indicador veio acima das projeções do mercado e registrou a maior alta acumulada em 12 meses desde o final de 2022. O resultado reforçou a leitura de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manterá uma postura contracionista, com nova elevação na taxa de juros na última reunião do ano.
Desempenho das ações do Ibovespa
O pregão foi marcado por forte queda nas ações ligadas ao setor imobiliário e varejista, pressionadas pela perspectiva de juros elevados por mais tempo. A Direcional (DIRR3) liderou as perdas do índice com recuo superior a 9%. Por outro lado, o setor industrial e exportador figurou entre as maiores altas, impulsionado pela Embraer (EMBJ3).
Confira abaixo o levantamento das ações com os melhores e piores desempenhos do dia na B3:
Maiores altas
| Ticker | Dia (%) | Valor (R$) |
|---|---|---|
| EMBJ3 | 2,70 | 92,30 |
| YDUQ3 | 2,12 | 13,46 |
| CXSE3 | 1,73 | 21,21 |
| TIMS3 | 1,36 | 18,64 |
| ABEV3 | 1,03 | 16,69 |
Maiores baixas
| Ticker | Dia (%) | Valor (R$) |
|---|---|---|
| DIRR3 | -9,26 | 10,58 |
| MRVE3 | -4,94 | 7,12 |
| VAMO3 | -4,27 | 5,61 |
| MGLU3 | -4,24 | 10,39 |
| CEAB3 | -4,18 | 12,14 |
Dólar avança com busca por segurança no exterior
A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos fortaleceu a moeda norte-americana globalmente. No mercado cambial brasileiro, o dólar comercial fechou com valorização de 1,17%, cotado a R$ 5,08 na venda.
A cotação reflete o realinhamento de carteiras globais para ativos de renda fixa norte-americana (Treasuries), considerados de menor risco. A variação difere de pregões anteriores de forte alívio cambial, como observado quando o dólar desaba para menos de R$ 5 em momentos de entrada expressiva de fluxo estrangeiro no país.
Bolsas em Nova York fecham em alta sustentadas por tecnologia
Apesar da pressão exercida pelos dados de inflação ao produtor, os índices acionários nas bolsas de Nova York conseguiram encerrar o dia no campo positivo. O movimento foi sustentado pelo setor de tecnologia e pelo otimismo com empresas voltadas para inteligência artificial, antes da divulgação dos balanços corporativos trimestrais.
No encerramento do mercado norte-americano, o índice Dow Jones registrou alta de 1,08%, o S&P 500 avançou 0,33% e o índice de tecnologia Nasdaq subiu 0,08%.
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